
Quinta-feira, 24 de Setembro de 2026
Trabalho há 30 anos em inovação. Como diretor de inovação, diretor de negócio (i.e., vendedor) e, hoje, professor e estudante de doutoramento. E a pergunta que nunca me abandonou é simples: se toda a gente diz que a inovação é essencial, porque é que quase ninguém a torna uma prioridade real?
A resposta não é ignorância ou falta de vontade. É porque esta não é a pergunta certa.
O objectivo de uma empresa não é ser inovadora. É criar valor. Vender mais, reduzir custos, ter margens maiores. A inovação não é um nem deve ser fim em si mesmo, mas o processo para criar valor. É o que acontece quando se identifica um problema real, se constrói uma solução genuinamente melhor e se captura valor suficiente para continuar. A inovação de produto ajuda a vender mais e ter preços mais altos que a concorrência. A de processo reduz custos e melhora margens. A de marketing muda como o valor é percebido e capturado. Todas servem as mesmas três alavancas de lucro: vendas, custos, margens.
O verdadeiro desafio é fazer isto constantemente. Para isso, é preciso cultura organizacional que combine espaço seguros de experimentação com exigência real; governança que harmonize inovação com as operações diárias, uma tensão sempre difícil dentro das empresas; e processos que convertam ideias em produtos, serviços e resultados.
Mas essas condições e processos e rotinas tem de estar em constante mudança. Porque o ambiente em que as empresas operam também o está (hoje cada vez mais). É o que Teece (2007) chama de capacidades dinâmicas: detetar oportunidades antes dos concorrentes, aproveitar o momento certo para agir, e reconfigurar recursos e estruturas para acompanhar a mudança. Não há uma receita mágica. Mas sabemos o que acontece a quem não o faz: não sobrevive.
Sobrevivem e lideram as empresas que sabem continuadamente criar valor. Ou seja, inovar.